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A importância do "não"

  • Bruna Biagi França - Psicóloga - CRP 06/102708
  • 2 de jan. de 2018
  • 2 min de leitura

O tempo está mudando e acelerando cada vez mais. Lutamos contra o tempo e, com isso, acaba não havendo muito “tempo de qualidade” para passarmos uns com os outros.

No núcleo familiar, pai e mãe sentem a necessidade (e também o desejo) de trabalhar. Assim, seus filhos têm os cuidados delegados a terceiros. E, com o pouco tempo do dia que sobra para os pais ficarem com seus filhos, nota-se que a palavra “não” é evitada. Talvez seja porque não querem dizer, porque se sentem culpados por trabalharem demais, porque não querem frustrar os filhos.

Não importa muito nesse momento pensar nesses “porquês”. O que quero transmitir é que, por essa ausência de “não” no vocabulário dos pais, cada vez mais nos deparamos com crianças “sem limites”, que acreditam que podem tudo e que têm que ter tudo.

Porém, os “nãos” que a criança ouve são estruturantes da cultura em que está inserida. Uma criança que não considera a falta não está atravessada pela lei desejante. Essa criança não se sente mais ou menos desejada pelos pais por ouvir mais ou menos “não”; ela só acaba mostrando que as leis da cultura podem ser burladas, não operam em sua vida.

Com isso, pais, por mais doloroso que seja, é a falta, o ato de dizer “não” que coloca seu filho sujeito às leis e regras humanas e culturais. Não estou dizendo que a criança deva ouvir apenas “não”, mas que vocês, pais, devem refinar sua escuta em direção às demandas de seus filhos e medir, também a partir das leis que os regem, se cabe o “sim “ ou o “não” como resposta. A criança, por mais que num primeiro momento fique com raiva, indica que está sendo regida por leis fundamentais que a estruturam como sujeito da linguagem.

Pais: seus filhos suportam o “não”, assim como nós o suportamos. E, para suportar esse “não”, o ouvimos muitas vezes em nossas vidas. E seus filhos também devem e podem ouvi-lo para se estruturarem e se desenvolverem como sujeitos culturais e sociais.

Bruna Biagi França

Psicóloga (CRP 06/102708)

 
 
 

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